O profissional de informática e o jogador de futebol.

15 10 2010

Quanto eu tinha mais ou menos 16 anos, fiz um curso de Basic. O curso era ministrado num moderno PC-XT com monitor de fósforo verde. Aprendi o básico do básico: variáveis, loops, saidas e entradas… Ali eu tive a certeza do que eu queria fazer da minha vida profissional.

Fui estagiário, programador jr, pleno, sênior. E então, o mercado de informática estragou a brincadeira. Subir na carreira não significava mais dominar técnicas e/ou linguagems, nem me destacar entre os demais, mas sim, me trasformar em um novo profissional, o “Analista”.

O mercado agora esperava que, além de ser um excelente programador, eu tivesse capacidade de fazer levantamentos, controlar prazos, participar de reuniões, ou seja muitas vezes deixar de lado o que eu mais gostava de fazer.

Façamos um paralelo com o futebol. O Ronaldo arrebentou muito novo. Maior atilheiro de todas as copas, melhor jogador do mundo etc. E se no futebol, para ganhar bem, você tivesse que ser técnico?

O Ronaldo seria tão bom técnico quanto foi atacante? Vale a pena para o mercado da bola, pros torcedores e pro Ronaldo, deixar o que ele nasceu pra ser pra ganhar mais?

O futebol é meritocrático. Cada um ganha conforme seus méritos dentro da sua posição. O atacante ganha muito bem, assim como um grande camisa 10 e também o técnico vitorioso.

É mais raro, mas jogadores de defesa também conseguem seu espaço nas contratações e salários milionários.

Uma empresa/departamento de informática também não pode ser comparada a uma equipe de futebol? Em linhas bem gerais e bem simplistas, temos:

  • O planejamento e estratégia do técnico (Gerente);
  • A segurança da defesa (Infra/Suporte);
  • E o pessoal da criação/ataque (desenvolvedores/analistas/designers)

Assim como no futebol, muitas dessas posições dividem responsabilidades de criação/defesa.

E porque raios os nossos atacantes são considerados menos importantes nessa estrutura? Deveria o Ronaldo ganhar menos que o Felipão?

Não podemos questionar o papel de todo o time nas conquistas, ninguém ganha nada sozinho, mas lembram de Romário em 1994 e Ronaldo em 2006? Quanto dessas copas dependeu da genialidade e habilidade desses dois craques?

Em uma empresa de informática comum, os Romários e Ronaldos iriam embora de ônibus depois da festa de entrega de um produto, enquanto a comissão técnica sairia carregada pelo povo para desfile em carro público. Tem lógica?

O mercado de informática devia aprender com o futebol. Valorizar seus talentos pela colaboração que eles trazem para o time, reconhecer que sem os “atacantes” não sai gol, e que os craques devem ser tratados como tais.





Porque se contentar com migalhas…

6 10 2010

… quando você pode ter o pão inteiro?

Diz a lenda que o NET nasceu da recusa da Sun de aceitar as alterações/contribuições da Microsoft ao Java.

Desde então, muito dos acertos do mundo Java vem sendo clonados para NET. Creio que o Nhibernate seja o caso mais famoso, mas podemos também citar Log4Net, Spring.Net etc.

Explodiram então os frameworks MVC. Spring, Struts, Django, CakePHP, Zend Framework, Symfony e claro: Ruby on Rails.

Na contramão do mundo, a Microsoft defendia o Webforms, que trazia para Web o paradigma de desenvolvimento Client-Server, facilitando a inclusão dos seu exército de programadores VB6 no inevitável domínio dos WebApps.

Foram criadas algumas alternativas para NET, o MonoRail é um exemplo. Mas no mundo NET, dificilmente algo se torna “o jeito certo de se fazer” se não vier de dentro da nave mãe. E o MonoRail nunca perdeu o rótulo de gambiarra / ferramenta de/para hackers.

Eis que então, a Microsoft começa a surpreender. o C# 3 traz o LinQ, algo novo e pela primeira vez, uma novidade cobiçada pelos desenvolvedores das outras linguagens. O time de desenvolvimento bloga, ouve opiniões, tudo indica que uma nova era estava por vir.

Não que não houvessem coisas que provassem o contrário como o Ajax Control Toolkit (ou Toolshit?).

Rob Conery foi contratado e seu enfoque pragmático no SubSonic me deixou bem esperançoso quanto ao avanço nas ferramentas e frameworks da Microsoft.

Vem então o Asp.NET MVC. Embora fosse mais um dos casos onde a Ms reinventa a roda e ignora alternativas open-source dentro do próprio ecossistema, dessa vez a fonte de inspiração deixa todo mundo surpreso.

O Rails, framework de desenvolvimento web que incentiva boas práticas recheado das siglas do momento tais quais MVC, TDD, Agile, foi a fonte onde a Ms foi beber para fazer o seu framework MVC. E, como se não pudesse ser melhor, utilizando por padrão JQuery.

Parecia que finalmente o que se entende por melhores práticas de desenvolvimento se tornaria padrão entre os desenvolvedores Ms. Infelizmente começam os tiros no pé. Linq-to-Sql é declarado morto (zumbi poderíamos dizer…) e é anunciado o EF, alardeado como a solução final para acesso a dados (datasets? procedures? L2S também não eram?)…

Oras, o Nhibernate, maduro, rápido, com uma comunidade vibrante não seria uma melhor opção? Afinal, não era o que tinham feito ao matar o Ajax Toolkit e o MS Ajax e adotar o Jquery? Não era isso que as novas caras da Ms (Haack,Halselman,Conery,Gu) fariam SE tivessem poder de decisão?

Rob Conery deixa a MS e a coisa passa a ficar mais e mais suspeita…

Os avanços no Net Framework não pararam, a BCL trouxe o Python e o Ruby para dentro do radar do desenvolvedor Ms e muitos como eu foram ver como era esse tal Ruby que os “nerds do linux” falavam nos seus blogs anti-Ms.

O fama do Rails só crescia e hora ou outra respingava nos blogs que eu acompanhava do mundo Ms.

Como bom curioso, eu fui dar uma espiada no bicho, encontrei tudo que esperava no mundo Net, tanto em ferramentas, comunidade, suporte e material de estudo. O resto é história.

Se vc leu até aqui, deve estar se perguntando: o que o título tem a ver com esse bla bla bla todo?

Hehehe vamos lá.

Hoje foi anunciado o beta do Asp.NET MVC 3. Entre as novidades está o Nupack. Um gerenciador de pacotes para Net. Simplificando com alguns comandos em pasme… LINHA DE COMANDO, vc adiciona ao seu projetos pacotes como Nhibernate, Elmah etc.

Um monte de tontos, isso mesmo TONTOS, tentou criar uma ferramenta nesses moldes (Nu entre outras) , trazer todos os inúmeros benefícios que as Gems trazem ao Ruby. Tontos porque não havia dúvidas que, se os desenvolvedores quisessem mesmo isso, a MS faria sua própria implementação.

Quem perdeu tempo tentando ajudar, colaborar pode fechar seus sites pois serão ignorados pelos desenvolvedores. Há pouco ou nenhum futuro para iniciativas do tipo. Quem é tonto o suficiente para continuar fazendo software open source para Net? Pra ser devorado? Atropelado pela nova e brilhante “idéia” que eles tiveram em Redmond ( e que na maioria das vezes fica aquém das alternativas da comunidade )? Com muita sorte você será comprado e renomeado.

O que muitos desenvolvedores experimentarão com o MVC3 e NUPack os desenvolvedores Rails tem a anos. O Asp.MVC, ainda que em sua mais nova versão está a anos luz atrás em maturidade, ferramentas, comunidade e praticidade para o Rails.

Não comam migalhas amigos, o pão está na mesa, quentinho e é de graça.

http://www.rubyonrails.pro.br/